A noiva sem casamento
Era mais uma noite sem atrativos ou planos, com nuvens pesadas de chuva no céu e um vento gelado invadia a janela grande do quarto de Julieta, ela estava sentada no escuro assistindo pelo computador um reality sobre vestidos de noiva e estava absolutamente absorta se imaginando nos vestidos que mais gostava, sentiu seus gatos se espreguiçarem sob sua coberta e sentiu o coração aquecer pela presença deles.
Em uma das criticas a escolha do vestido de uma das participantes, Julie, como a maioria das pessoas a chamavam e ela preferia desde criança, por justamente não ser comparada com a Julieta do Shakespeare, Julie sentiu o soco no estômago do vazio da solidão mais uma vez e percebeu que talvez ter um Romeu não era tão ruim quanto ela abominava na adolescência. Olhou para o celular e nada nenhuma mensagem ou notificação, tinha que ler alguns livros para mandar para a editora, mas sentia a paralisia da solidão e simplesmente continuava na mesma posição das ultimas cinco ou seis horas vendo mulheres comprarem vestidos de noiva. Sentiu o sono pesar e de repente estava ela num vestido de noiva champagne e bufante se olhando num
espelho enorme e quando saiu deste vestiário estava parada num local de casamento vazio, sentiu as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto e o aperto do coração foi tão intenso que Julie acordou, olhou o celular novamente onde nada havia mudado, sentiu as lágrimas reais e percebeu, que era uma Julieta perdida em si mesma e acreditava que jamais encontraria um Romeu.

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